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VOL.4 | Nº 2 | Julho – Dezembro 2013

FAZER DAS TRIPAS CORAÇÃO:
A VIVÊNCIA DO INFANTIL COMO ABERTURA À FRATERNIDADE NO MUNDO ATUAL 1

Leila Guimarães Lobo de Mendonça *

* – Mestre em Pesquisa e Clínica em Psicanálise/IP-UERJ. Professora da Faculdade Machado Sobrinho. Psicanalista e membro da Sociedade de Estudos Psicanalíticos de Juiz de Fora/Núcleo Juiz de Fora do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos.

Resumo: Apoiado em alguns escritos de Freud, Bauman e Birman, este texto tem como finalidade responder à seguinte problemática: sendo o mundo atual mais propiciador da vivência de morte, paradoxalmente, ele não seria um mundo mais favorável à criação de laços fraternos? Para responder a essa questão, usou-se como ferramenta principal o conceito psicanalítico infantil, visto que, através dele, é possível tecer ideias acerca do mundo atual, na medida em que nesse o que se revela é a vivência radical daquele. Assim, necessário se fez dialogar com discursos teóricos que advêm de outros campos de saber, a fim de que seja possível perceber que o mundo atual traz consigo uma positividade.

Palavras-chave: Infantil; experiência de morte; atualidade; fraternidade.

Abstract: Supported by some writings by Freud, Bauman and Birman, this text aims to answer the following question: as the biggest enabler of the experience of death, paradoxically, wouldn’t the present world be more favorable to the creation of fraternal bonds? To answer this question, child psychoanalytic concept has been used as the main tool, because through it, it is possible to come up with ideas about today’s world, in that it reveals the radical living of infancy.Thus, it was necessary to engage with theoretical discourses that come from other fields of knowledge in order to make it possible to realize that the current world brings positiveness.

Keywords: Infancy; experience of death; actuality; fraternity.

1. Para começar

Este texto é fruto de uma inquietação provocada pela temática da XIIª Jornada do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos – Imagens improváveis, imagens impensáveis: presenças no mundo. As palavras que lhe encorpam foram o bastante para causar aquela. De imediato, alguns desdobramentos se deram e deles nasceram algumas indagações, cuja essência se constituiu como base para a formulação da problemática levantada aqui: sendo o mundo atual mais propiciador da vivência de morte, paradoxalmente, ele não seria um mundo favorável à criação de laços fraternos?

Para responder, tomarei o infantil – conceito psicanalítico – como ferramenta principal. Penso que, através dele, podemos tecer ideias acerca do mundo atual, na medida em que nesse o que se revela é a vivência radical daquele. Para isso, necessário se faz dialogar com discursos teóricos que advêm de outros campos de saber, a fim de que possamos perceber que o mundo atual traz consigo uma positividade que penso ser inédita na nossa civilização. Feito esse esclarecimento inicial, retomo aquilo que me gerou inquietação – imagens improváveis, imagens impensáveis: presenças no mundo –, cujos desdobramentos e indagações deram origem a essa escrita.

Assim, o primeiro desdobramento diz respeito ao termo presença, que, associada a tais imagens, pode sugerir a ideia da emergência de uma ocorrência, de um fato, cuja natureza afetaria o sujeito, na medida em que ultrapassaria o seu poder de controle. Dessa forma, a presença seria da ordem da experiência, de uma vivência, isto é, ao causar uma ruptura na estabilidade do sujeito, ela o levaria a se confrontar com aquilo que escapa ao seu controle. O outro desdobramento se refere aos vocábulos improvável e impensável. Se improvável carrega uma conotação de quase uma certeza, ou seja, é quase certo que tal fato não ocorra, o vocábulo impensável pode nos remeter àquilo que sabemos que pode acontecer, mas que não queremos saber, isto é, queremos distância. Nesse sentido, torna-se uma ideia impensável.

Sendo assim, podemos pensar que cada sujeito parece carregar dentro de si uma sabedoria; uma sabedoria de algo que pode lhe afetar. Não algo qualquer, mas algo que possa colocar em risco a sua integridade física ou psíquica. Se não fosse assim, ele não teria motivos para tornar tal ideia impensável. Logo, o sujeito quer distância daquilo que lhe ameaça. Além disso, é justamente por ele saber que esse acontecimento não é improvável que ou ele se veste de uma certeza de que a tudo pode controlar – acreditando ser autossuficiente e dessa forma invulnerável – ou ele reveste o outro desse poder, por acreditar que esse é autossuficiente e, dessa forma, o protegerá. Tudo isso sempre numa tentativa de se proteger de uma vivência que é sentida como sendo da ordem do insuportável. Portanto, é para não ter que se deparar, efetivamente, com essa presença que o leva a uma experiência de horror, que o sujeito – ao lançar mão dessas defesas, acreditando que, assim, não será afetado – atropela o outro, sem saber que, na verdade, está se atropelando também.

Posto isso, é preciso dizer que esses desdobramentos semânticos não se deram sem antes a minha mente ter sido povoada por inúmeros acontecimentos que, acompanhados das suas imagens, causaram grande impacto no mundo. São imagens que percorreram o mundo inteiro e que, se não causam mais o impacto que causaram, ainda provocam certo mal-estar quando se está diante delas.

Sem sombra de dúvidas, podemos destacar duas imagens dessa ordem que, aliadas ao poder da alta tecnologia, assombraram a humanidade nesse século: o ataque ao World Trade Center, que abalou a suposta invulnerabilidade do império americano logo no início do século, e o tsunami que, recentemente, devastou a costa do Japão. Bem menos explorada pela mídia, mas nem por isso menos assombrosa, uma terceira imagem causou também o mesmo impacto por revelar as mesmas impressões. Trata-se de uma embarcação sendo sugada por um gigantesco redemoinho formado por aquele tsunami.

Seja pela fúria do homem, seja pela fúria da natureza, essas imagens – em cores e em movimentos – colocam em relevo a força, a intensidade e o inesperado, rasgando de cabo a rabo aquilo que podemos definir como corpos. Mais: essas imagens colocam, também, em grande evidência, a inexistência de uma proteção que possa dar cabo disso que nos afeta. Portanto, é a nossa vulnerabilidade, é a nossa insuficiência que se impõem aqui. É o estado de desamparo na sua radicalidade, é a experiência de morte que aparece, em cores e em movimentos, nessas cenas de horror.

A partir disso, penso que algumas indagações cabem aqui: se a presença é da ordem da experiência ou da vivência, não estariam elas nos remetendo a uma vivência muito íntima, muito familiar? Seriam mesmo, essas imagens improváveis e impensáveis como gostaríamos de crer? Esses acontecimentos, essas imagens não refletiriam, metaforicamente, a nossa mais primitiva vivência? Não estariam elas incrustadas em cada um de nós? Atônitos, perplexos e sem palavras ficamos a olhar para elas uma, duas, inúmeras vezes. Falamos delas, buscamos informações sobre elas, escrevemos sobre elas em uma tentativa de historicizar aquele instante marcado por um silêncio macabro; aquele instante marcado por um estado em que a palavra se encontra suspensa; enfim, tentamos fazer das tripas coração.

Assim, apoiada em alguns textos de Freud, Bauman e Birman, procuro nesta escrita associar essas imagens/acontecimentos com o conceito de infantil, para depois, articulando com o mundo atual – onde a instância da autoridade simbólica erodiu totalmente –, questionar se esse – palco insistente daquelas e, consequentemente, mais propiciador da vivência de morte –, paradoxalmente, não seria um mundo favorável à criação de laços fraternos, onde o outro, apreendido tal como ele é, ou seja, reconhecido na sua diferença e na sua singularidade ganha verdadeiramente existência.

2. O infantil como uma pedra no meio do caminho do sujeito

Compreendo que o infantil – conceito primordial da psicanálise – atravessou a obra freudiana não se mantendo imutável em sua significação. Muito ao contrário, ele recebeu diversas versões, as quais não se constituíram por uma continuidade (BIRMAN, 1997). O deslocamento de uma dimensão vitalista – dimensão essa norteada pelo campo do simbólico e, sendo assim, por uma proteção – para uma dimensão mortalista – norteada pelo campo do Real e, sendo assim, pelo estado de desamparo –, é a marca crucial da presença de uma descontinuidade. Entretanto, é importante sublinhar que esse deslocamento não se deu sem o lugar do pai e a concepção do traumático sofrerem uma reviravolta no discurso freudiano transformando, substancialmente, a experiência psicanalítica.

Faço essa aproximação, pois se num primeiro momento o infantil possuía uma dimensão vitalista, ou seja, voltado para a sexualidade, era porque aquilo que se constituía como traumático para o sujeito dizia respeito à sedução do pai sobre ele. Porém, essa por ser tomada como uma ideia inconcebível – na medida em que o pai seria uma figura perversa –, Freud retira o trauma da sedução do registro do acontecimento e o aloca no registro da fantasia do sujeito (FREUD, 1897/1986). Nesse momento, segundo Birman, “o discurso freudiano realizou uma verdadeira operação de salvação da figura do pai” (BIRMAN, 2006c, p. 150, grifo do autor): ao atribuir ao imaginário do sujeito a sedução paterna, ele dá à figura do pai o lugar de protetor – como representante da lei, como autoridade simbólica, ele protegeria o sujeito dos excessos sexuais que povoariam o seu imaginário.

Foi neste solo que Freud formulou a primeira teoria da pulsão, a qual foi marcada pela causalidade do inconsciente; um inconsciente que, regulado pelo princípio do prazer, teria como matéria-prima um desejo recalcado que, movido pelas pulsões perverso-polimorfas, encontraria satisfação através das diversas formas que o inconsciente se manifesta. Assim, em um cenário simbólico, entre condensações e deslocamentos, o infantil se encontraria no campo das representações, ou seja, no campo constituído pelos atributos erógenos, uma vez que se acreditava que a pulsão era sempre atrelada a uma representação. Vale dizer que, nestes termos, o infantil seria historicizado.

Portanto, identificado com a sexualidade, isto é, com o recalcado, com o campo das representações ou com o campo do simbólico e por isso circunscrito pela narrativa histórica, o infantil era tomado como uma pedra no meio do caminho, cuja existência era responsável pela dor psíquica do sujeito.

3. O infantil como um solo fundante

Ao retomar, vigorosamente, o aspecto econômico do psiquismo, atribuindo ao traumatismo psíquico uma dimensão econômica que, até então, era pouco evidenciada, Freud, em seu notável texto Além do princípio do prazer (1920/2006), sublinha de forma categórica o aspecto econômico e energético do inconsciente, com o qual o infantil passa a se identificar.

O sublinhamento freudiano nos aponta para um deslocamento sofrido pelo infantil: se antes a prevalência se encontrava no campo simbólico, agora recai sobre o campo das pulsões, que, como força constante, atua sobre o psiquismo, fazendo com que esse seja atravessado por intensidades cujo excesso não é absorvido tão logo pelo campo do simbólico ou da representação (FREUD, 1920/2006). Situado no campo da força pulsional –Isso – e regulado não mais pelo princípio do prazer, mas pelo princípio do Nirvana, o infantil passa a ser identificado com essa força diabólica e muda que, na ausência de representantes pulsionais, se revela como compulsão de repetição (FREUD, 1920/2006).

Esse deslocamento é fundamental, pois além de marcar uma descontinuidade, uma vez que o infantil se encontra agora na exterioridade do campo do desejo, ou seja, encontra-se fora do campo do simbólico, passando a ser circunscrito como o que não pôde ser erotizado, ele aponta, também, para uma grande reviravolta ao que diz respeito ao trauma e ao pai. Isto porque, em função da insuficiência própria do psiquismo em dominar prontamente o impacto da força pulsional, o trauma passa a ser alocado no registro do acontecimento, uma vez que ele se torna uma possibilidade sempre presente (BIRMAN, 2006c). Diante disso, o que se evidencia é a falha do pai, isto é, a insuficiência da sua potencialidade simbólica, na medida em que lhe é impossível prever os acontecimentos que por efeito seriam traumáticos.

A partir, então, da elaboração da segunda tópica do aparelho psíquico e da segunda teoria pulsional, o infantil passa a ser identificado com o trauma, cujo impacto da força pulsional arremessa o sujeito no campo da angústia do Real, revelando a sua posição de desamparo, uma vez que o trauma – como acontecimento e, consequentemente, como presença absoluta, para usar as palavras de Birman (1997) – se constitui no intervalo entre o polo da força pulsional e o polo da linguagem (FREUD, 1920/2006).

Nesse panorama, o sujeito encontra-se diante do perigo mais extremo. Por se ver completamente despreparado, já que o eu não teve condições de emitir um sinal de angústia anteriormente, aquele é levado a uma experiência que o remete ao sentimento de risco de catástrofe iminente, cuja integridade do eu, de seu narcisismo primário se vê ameaçada (FREUD, 1926/1986). Assim, o sujeito é levado à experiência de morte; experiência essa que se inscreve na exterioridade da temporalidade histórica (BIRMAN, 1997).

O que está em pauta aqui e que faz com que o deslocamento sofrido pelo infantil – do campo da representação para o campo da força pulsional – seja fundamental, é o fato de que o infantil deixa de ter uma dimensão vitalista e passa a ter uma dimensão mortalista, significando que o funcionamento primordial dos processos psíquicos se fundamenta na experiência de morte (BIRMAN, 1997), ou seja, o sujeito se constitui a partir dessa experiência.

Munido de quase nada ao nascer, a morte se faz presente como uma ameaça real; se o outro não comparece, ela se impõe. Se enquanto habitante do ventre materno, o filhote humano se encontrara mergulhado em um estado de absoluta quietude, emerso no mundo real encontra-se em um estado de desamparo, decorrente da sua insuficiência constitutiva. A bem dizer, o filhote do homem “emerge no que lhe é estrangeiridade radical, abaladora dos fundamentos do organismo” (VORCARO, 1997, p. 71), visto que se defronta com os inúmeros estímulos advindos tanto do mundo externo quanto do interior de seu organismo, os quais lhe invadem.

Devido a sua impotência motora inicial, aquele é impedido de realizar uma ação específica que possa atender a sua necessidade e, consequentemente, eliminar o acúmulo de tensão que se restabelece constantemente. Isso quer dizer que, entregue a si mesmo, ele não tem a mínima condição de sobreviver – “a autonomia é mortal: a impotência vital de sua insuficiência adaptativa, o inacabamento anatômico do sistema piramidal e a carência de coordenação motora e sensorial constituem seu drama” (VORCARO, 1997, p. 71). Aqui se revela um imperativo: para sobreviver é imprescindível o outro.

Essa revelação nos indica que a marca fundamental do sujeito é o desamparo, cuja vivência o faz apelar ao outro (FREUD, 1895/1986). Dentro desse contexto, é possível fazermos a interpretação de que na origem está a morte e não a vida. Isso significa que é devido à experiência de morte que a vida e a existência humana tornam-se possíveis (BIRMAN, 1999a).

Dessa forma, afirmando a sua dimensão de morte, o infantil se apresenta como aquilo que se situaria num tempo primevo; um tempo onde o corpo se apresenta rasgado, fragmentado ou, como nos diz Lacan, despedaçado (LACAN, 1949/1998). É um corpo que, como superfície crivada pelos impactos pulsionais, apresenta-se como um mosaico (NASIO, 2009). Assim, o corpo despedaçado – corpo Real – é um corpo constituído de fendas, de onde emanam os fluxos de excitações – excitações brutas e cruas; sem nome, sem contorno, sem lapidação – e que possui como único destino a descarga total daquelas, numa tentativa de restaurar o seu estado primitivo, o qual é marcado pela ausência de excitações e, sendo assim, marcado por um estado de “quietude absoluta” (FREUD, 1920/2006).

Ao nomear, contornar e lapidar as excitações, o outro intervém contra a descarga mortífera total do organismo, na medida em que, através dos objetos oferecidos por ele, os quais proporcionam uma experiência de satisfação ao infante, promove uma vinculação da força pulsional ao campo dos objetos. Portanto, o outro proporciona uma organização pulsional ao converter a energia livre – destinada à expulsão e consequentemente à morte – em uma energia vinculada – destinada à satisfação, à vida. Por este investimento, a força pulsional se transforma em um circuito pulsional, impedindo a perda de energia pelo organismo (BIRMAN, 1999a).

Assim, é a partir da presença do outro injetando vida, instilando Eros, inscrevendo as marcas do desejo nesse corpo, que por si só não tem a mínima condição de sobreviver, que o corpo Real vai ganhando um contorno, propiciando ao infante uma proteção face ao desamparo originário (MENDONÇA, 2013). Portanto, o corpo que se apresentava como disperso e anárquico, com o contorno que recebe daquele, isto é, com a erogenização realizada pelo outro, vai se ordenando em uma imagem totalizada e unificada. Logo, essa imagem veste o corpo Real e, através dessa vestimenta, o infante se protege contra a angústia do Real, uma vez que ele, ao se identificar com aquela, se reconhece enquanto existência. Porém, uma existência alienada, visto que o corpo unificado – constitutivo do eu – é construído a partir do olhar do outro.

Esta experiência que Lacan denominou de estádio do espelho (1949/1998) tem como essência a construção da imagem de si; mais precisamente do eu ideal e do amor de si, cuja constituição não se realiza sem o intermédio do olhar desejante do outro, o qual, a partir de uma idealização, confere ao eu do infante algo da ordem da supremacia. Nesse sentido, o eu ideal, identificado ao desejo do outro, aponta para uma imagem idealizada; uma imagem de perfeição narcísica que afirma a onipotência primordial do infante.

Assim sendo, essa imagem, além de inaugurar uma experiência de reconhecimento inscrevendo no infante a certeza de existir, se constitui como uma grande defesa para o sujeito, protegendo-o contra a angústia de despedaçamento e da fragmentação corpórea, na medida em que ela fornece “um continente e uma forma totalizadora para a anárquica produção pulsional originária do corpo infantil” (BIRMAN, 2008, p. 102).

Se tudo isso aponta para a impossibilidade do sujeito de se constituir por si só, visto que sem a presença do outro a sua existência é inviável, aponta, também, para o fato de que o tempo primevo – tempo em que o infantil se situaria – é um tempo em que o outro ainda não se inscreveu; um tempo onde a linguagem não se fez; um tempo fora da temporalidade do desejo. Desse modo, o infantil, ao se situar na exterioridade da temporalidade histórica, ou seja, onde a existência da vida ainda não se constituiu, passa a ser marcado pela experiência de morte, a qual revela a finitude do sujeito e a sua insuficiência.

Portanto, é porque o infantil revela a finitude e a insuficiência do sujeito que o desamparo, como marca impressa naquele, não é superado. Como nos esclarece Birman, apoiado nas palavras de Pontalis (1968), o desamparo humano se define como uma vocação da condição humana. Cito-o:

Vale dizer, não somos desamparados apenas por uma insuficiência genético-evolutiva, mas também por vocação, na medida em que o desamparo se materializa pelo rasgão originário que nos marca para sempre. Esta fenda está sempre lá nos carcomendo, pela distância abissal entre a força e o circuito da pulsão, entre o organismo prematuro e o outro. Somos então prematuros para sempre, de maneira irremediável, já que não existe costura para esse rasgão sempre reposto. Por isso mesmo, somos marcados pelo desamparo e pelo apelo sempre relançado ao outro (BIRMAN, 1999a, p. 165).

Nesse sentido, é porque vivemos que o encontro com o infantil é inevitável; um encontro que se dá quando menos esperamos. Sem data e hora marcada, ele aparece. Sua força desmantela nossas supostas certezas. No encontro com o sem-sentido, perdemos nossos sentidos, perdemos o prumo. É o instante em que a angústia do Real nos visita sem avisar, sem nos pedir licença. Como o gigantesco redemoinho, ele domina o nosso corpo, a nossa razão e a nossa alma. Ele tira o raciocínio, as palavras e a sensatez. Ele nos deixa com os nervos à flor da pele. Ele nos leva ao desnudamento da alma; nos lança lá onde a linguagem não existe, lá onde as sensações são brutas e cruas; ele nos leva à força do pulsar. Lançados no campo do inassimilável, do indizível, do inominável, do não saber, do indeterminado, nós fazemos apelo ao outro. Aqui podemos indagar: que outro? Que outro se pode apelar no mundo atual?

4. Um mundo enraizado

Diferentemente dos tempos de outrora, em que o mundo se organizava a partir de um centro de referência, isto é, se ordenava a partir de uma autoridade – fosse ela real ou simbólica, cujo poder era condensado em seus representantes, os quais encarnavam uma instância de proteção para o sujeito, fosse ela absoluta ou relativa –, o mundo atual é marcado pela erosão daquela.

Assim, se a ordem do mundo pré-moderno era revelada e mantida pela presença de uma autoridade absoluta – no registro da coletividade representada pela figura do Rei e no registro da singularidade representada pela figura do pai, autoridades essas legitimadas por Deus –, onde o homem encontrava respostas plenas e totalizantes para os enigmas da sua existência e para o seu ser, o mundo moderno, marcado pela queda dessa autoridade una e absoluta, era ordenado pelos valores da razão científica que, fazendo parceria com a técnica, exercia um lugar de produção e de agenciamento da verdade (BIRMAN, 2006a).

Bauman, referindo a sociedade moderna anterior como modernidade sólida, nos esclarece que essa era ordenada por um projeto de controle do mundo pela razão científica, o qual “fornecia os critérios para avaliar a realidade do dia presente” (BAUMAN, 1999a, p. 29), isto é, um projeto de ordem e que, através dos Estados-Nações e por meio do ordenamento racional e técnico, visava organizar os povos, para assim tornar o mundo o “melhor possível dos mundos” (BAUMAN, 1999a, p. 29). Dessa forma, o mundo moderno conferia ao homem uma autonomia em relação ao mundo sagrado.

Contudo, essa modificação na ordenação do mundo revelou a posição de desamparo do homem. Se antes a existência do mundo repousava sob uma verdade única e absoluta enunciada pelo divino, ou seja, “os signos remeteriam para um referente seguro e inquestionável” (BIRMAN, 2006b, p.100), no mundo moderno, com a perda desse referencial, o sujeito “estaria sempre diante de interpretações infinitas, isto é, de novas interpretações que remeteriam a antigas interpretações, na medida em que não existiria mais um ponto absoluto de origem” (BIRMAN, 2006b, p. 100). O que vemos aqui é que com a perda do grande Pai e, consequentemente, a perda de um sentido pleno e totalizante, o sujeito estaria diante de um grande enigma – “quem eu sou?”.

O que está em pauta nessas linhas é que com a queda do Pai, a qual coloca em evidência o desamparo do homem, o sujeito passa a ter que realizar uma árdua e operosa construção – sua identidade. Entretanto, mesmo com tudo isso, aquele se encontrava inserido num mundo enraizado, isto é, se encontrava inserido num mundo que lhe oferecia um suporte simbólico, cuja presença possibilitava-lhe uma construção e uma organização identitária.

5. Sobre o mundo desértico

Diferente desse cenário, o mundo atual desmontou a realidade herdada, tal como o mundo moderno, porém não criou outras raízes, como nos afirma Bauman (2004). Segundo ele, a sociedade moderna anterior, desde o seu início, foi desenraizadora, na medida em que, nas palavras do autor, “ela derretia os sólidos e profanava os sagrados” (BAUMAN, 2004, p. 322). Contudo, se ela desenraizava era para re-enraizar e torná-la novamente sólida, mas, com outros fundamentos – diferente do mundo atual que desmontou a realidade herdada, porém sem a perspectiva de uma longa duração, já que não há um enraizamento. Assim, o mundo atual é marcado pela liquidez (BAUMAN, 2001).

Conforme o autor acima, como os líquidos, aquele se caracteriza pela incapacidade de manter a forma. Neste sentido, as nossas instituições, as nossas referências, os estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades “autoevidentes”. Dessa forma, sem raízes, tudo, inclusive as relações humanas, tendem a permanecer em fluxo, perdendo a consistência. A bem dizer, tudo se torna volátil, desregulado, flexível, incerto e instável.  Portanto, sintetiza o autor, “a nossa é uma era, que se caracteriza não tanto por quebrar as rotinas e subverter as tradições, mas por evitar que padrões de conduta se congelem em rotinas e tradições” (BAUMAN, 2004, p. 322).

Por uma outra vertente, mas que podemos fazer uma aproximação, Birman (2006d), através de um conceito da filosofia política – soberania –, nos esclarece que, até então, o mundo se organizava a partir de um modelo de soberania que se constituía num eixo vertical, cujo polo do poder era representado nos termos da centralidade. Segundo o autor, no mundo atual nos deparamos com o descentramento do poder, sendo esse caracterizado, agora, pela pluralidade e pela multiplicidade. Assim, o poder que se condensava no Estado-nação, na atualidade sofreu uma grande relativização, não se limitando mais ao registro da sociedade política.

Tanto os autores citados acima como tantos outros autores vão considerar o processo de globalização da economia uma marca crucial dos tempos recentes, cujo mecanismo esvaziou a autoridade política em prol do econômico. Logo, em nome do imperativo de lucratividade daquele, nos afirma Birman (2008), o mundo atual passou a ser regido pelo econômico e não mais pela autoridade política; essa caiu por terra dando lugar aos grandes empreendedores.

Bauman (1999b), nessa mesma linha de pensamento, afirma que o Estado está desprovido de poder e de autoridade, tendo somente instrumentos básicos para a manutenção do interesse das megaempresas, as quais gozam de toda liberdade para realizarem manobras econômicas. Como um mero espectador, dominado, sem poder de reação, diminuto e fraco, o Estado se encarrega, apenas, de manter e criar processos que viabilizem a estabilidade financeira e econômica, fazendo com que a sua função de outrora – zelar pela proteção e pelo bem-estar dos cidadãos – seja dissolvida, visto que este novo Estado que surge é uma máquina dependente dos processos produtivos.

Dessa forma, a nova ordem mundial, ou desordem mundial como o autor nos aponta, se traduz em uma sucessão de atos que se origina da falta de definição de rumos e da falta de quem a controla, evidenciando a falta de um centro. São palavras dele: “o significado mais profundo transmitido pela ideia da globalização é o do caráter indeterminado, indisciplinado e de autopropulsão dos assuntos mundiais; a ausência de um centro de um painel de controle, de uma comissão diretora, de um gabinete administrativo” (BAUMAN, 1999b, p. 67). Isso nos aponta para a quebra da soberania do Estado-nação, na medida em que esse renuncia o seu controle para favorecer a nova ordem mundial.

Neste sentido, não nos é difícil perceber uma derrocada das estruturas simbólicas; não nos é difícil perceber que a autoridade simbólica foi posta na berlinda, levando ao esfacelamento das instâncias protetoras. Se no coletivo nos deparamos com o esvaziamento daquela nas instituições políticas e sociais, as quais tinham como função mediar e regular, isto é, elas se apresentavam como um pai, como um legislador, em um âmbito mais restrito – a família – o mesmo esvaziamento se fez presente. Como numa máquina, em que ao se deslocar uma peça modifica-se toda a sua engrenagem, o deslocamento da mulher da posição exclusivamente materna provocou outra ordem de funcionamento na família, uma vez que o poder, que até então era centralizado na figura do pai, passou a ser dividido com a figura da mãe, significando o fim do patriarcado e colocando em xeque a autoridade simbólica que era fundada na ordem paterna.

6. Efeitos do mundo desértico

O que essas marcas dos tempos recentes indicam, seja no registro coletivo, seja no registro da singularidade, é o ruir das instâncias protetoras – Estado e figura do pai –, visto a desconstrução do poder que era centrado nelas. Assim, enquanto na coletividade tínhamos o Estado como representante da centralidade do poder, na singularidade tínhamos a figura do pai como representante daquela, isto é, representantes de uma autoridade simbólica que sustentavam uma referência para a sociedade e para o sujeito e que, através dela, tanto um quanto o outro encontravam um suporte para se organizar.

Portanto, no mundo atual, aquilo que se constituía como uma referência para a subjetividade se ordenar se esfacela, isto é, devido à quebra da soberania, devido à descentralização do poder, o Estado e a figura do pai deixam de ser a instância crucial para a sociedade e para o sujeito se organizarem. Isso vai se configurar, segundo Birman, como uma experiência de desalento, a qual é marcada pela ausência de qualquer possibilidade de existência de uma potência protetora, pelo fato de o campo da alteridade se encontrar ausente (BIRMAN, 2006d). Logo, na ausência do polo do poder, na inexistência de raízes, para fazer uso da metáfora de Bauman, o sujeito no atual mundo não tem a quem recorrer, pelo menos ao que diz respeito a uma instância maior.

Voltemos às imagens/acontecimentos que me impulsionaram a produzir essas linhas e cujo poder de nos impactar é enorme. Sabemos que elas não são exclusivas do mundo atual. Basta pensarmos em algumas delas que marcaram o século passado: os campos de concentração que dizimaram milhões de vidas, a enorme nuvem em forma de cogumelo que, com sua força gigantesca, devastou a cidade de Hiroshima e Nagasaki, a pequena vietnamita correndo nua diante do bombardeio em seu vilarejo e tantas outras. Isso significa que aquelas sempre foram presenças no mundo.

A diferença se encontra no fato de que, na atualidade, devido às grandes transformações que ocorreram na esfera sociopolítico-econômica, o sujeito acaba por se deparar com essas ocorrências desprovido de toda e qualquer instância que lhe sirva de referência; instância que o remeta à proteção. Dessa forma, face aos acontecimentos traumáticos a que frequentemente é exposto e por não suportar a radicalidade da experiência do desamparo, o sujeito, sem poder lançar mão de recursos simbólicos, visto que esses se encontram precários, se vê sem saída. Aqui o caos se instala e com ele o acirramento das defesas daquele – defesas essas primárias e imaginárias.

Assim, as pequenas ou grandes violências – veladas ou desveladas, reais ou simbólicas – que o sujeito perpetra contra o outro ou contra si mesmo e que são movidas pelo autoritarismo, pela arrogância, pela crueldade e pela servidão se avolumam em uma tentativa daquele se proteger do gigantesco redemoinho, isto é, de se proteger das intensidades pulsionais que se impõem cada vez mais parecendo tragar o sujeito.

Neste sentido, contra o outro, a violência vai se materializar pela via do autoritarismo, da arrogância, da arbitrariedade e da crueldade, como uma forma do sujeito afirmar a sua suposta autossuficiência sobre aquele. É devido à existência do desamparo originário, onde a insuficiência do sujeito se inscreve, que esse se aferra em seu narcisismo recusando-a, na medida em que acredita ser infalível e autônomo. Colocando-se como dono da razão, como aquele que está acima do bem e do mal, o sujeito exerce a sua arrogância sobre o outro e, consequentemente, despreza a fragilidade desse, sempre numa tentativa de apagar as marcas de sua história inglória; até porque para ele o reconhecimento e a admissão da sua insuficiência consistem em um ato vergonhoso (BIRMAN, 1999b). Assim, alimentando-se do horror do outro em relação ao desamparo, o sujeito crê que dessa forma domina a sua condição de desamparo. Neste sentido, a existência do outro se dá como um corpo a ser manipulado para o gozo narcísico daquele.

Já a violência contra si mesmo vai ganhar corpo pela via da servidão, onde o sujeito em nome de uma suposta proteção abre mão do seu desejo e, por conseguinte, da sua liberdade. Numa tentativa de se proteger da vivência de horror do desamparo, o sujeito se coloca numa posição servil, ou seja, se sujeita ao outro para evitar a sua condição de desamparo. Assim, diante do ruir da figura centralizada da soberania, e não suportando a experiência do desamparo, segundo Birman (2006d), o campo das relações horizontais de poder é verticalizado ao transformar em soberano aquele que não é soberano. Prato cheio para a formação de um pacto; para a constituição de uma relação sadomasoquista – forma, por excelência, dos laços sociais na atualidade.

Isso tudo nos indica que vivemos num cenário em que o trauma se sobrepõe. Neste cenário é o nosso rasgão, a nossa fenda originária que, sem nenhum véu, se escancara diante de nós; uma fenda que expõe a fragmentação e a desorganização de um corpo, não existindo linha e agulha que possam dar conta de realizar uma costura, cuja vivência é a do horror; um cenário que nos lança ao tempo primevo, que nos leva ao encontro com a dor de existir. Portanto, se o que está em pauta aqui é a insuficiência do sujeito, o seu desamparo, a sua experiência de morte, podemos, sem sombra de dúvida, afirmar que é o encontro com a dor de existir que tanto um quanto o outro tentam evitar – uma tentativa em vão.

7. E para não dizer que não falei das flores

Escutamos diariamente que o mundo de hoje se apresenta como desértico, como perdido, como caótico, como desregrado, nos deixando entregue às baratas ou nos arremessando às feras. Sabemos que isso não é nenhuma balela, pois as nossas vivências cotidianas insistem em nos trazer à tona – crua e brutalmente – uma verdade que muitas vezes tentamos encobrir: nossa orfandade. Se isso dá a impressão de que vivemos no final dos tempos, como alguns insistem em afirmar, certo é que o mundo atual inaugura com toda força a ausência de uma instância maior, uma vez que nele o polo de poder vertical e o da figura soberana central foram desmoronados.

Entretanto, ao escancarar a nossa orfandade, ao rasgar as nossas ilusões sobre a existência de uma instância maior de proteção, o mundo atual, diferente dos tempos de outrora, inaugura uma nova possibilidade – a de que deixemos de olhar para cima e passemos a olhar para os lados, ou nas palavras de Birman, a de que possamos “inventar o nosso destino valendo-nos das relações horizontais de poder” (BIRMAN, 2006d, p. 221), pelas quais é possível a criação de laços fraternais. Laços, esses, que se constituem a partir do reconhecimento da nossa insuficiência e da nossa precariedade, assim como do reconhecimento da insuficiência e da precariedade do outro – condição para que, tanto nós quanto o outro, possam ser apreendidos tal como são, isto é, reconhecidos nas suas diferenças e singularidades, ganhando verdadeiramente uma existência.

Neste sentido, a orfandade ganha um caráter positivo – ao possibilitar a criação do nosso destino a partir dos laços fraternos, ela nos possibilita um poder de afirmação diferenciado, o qual se constitui como “afirmação da potência de cada um e de todos” (BIRMAN, 2006d, p. 227). Assim, se o mundo atual parece ser o final dos tempos como alguns preferem apostar, a minha aposta é a de que vivemos em um tempo de transição e, como tal, vivemos no vazio e no silêncio de todo e qualquer referencial, cujo destino pode ser a vida ou a morte. Assim, se podemos fazer, dele ou com ele, um abismo para morrermos – fazendo sentido, então, a definição como final dos tempos –, podemos, também, fazer daquele um espaço para criar. Como diz o ditado popular, fazer das tripas coração, para qual me permito dar outra interpretação – trata-se de uma invenção, de uma criação, isto é, fazer daquilo que não tem vida, o pulsar da vida.

Gostaria de finalizar a minha escrita com uma imagem bem diversa daquelas que mencionei ao longo deste texto; uma imagem que não é da ordem do traumático e que se aproxima com o que penso ser a fraternidade – a multidão de pessoas que tomou conta das ruas do nosso país num enorme protesto contra a corrupção, a violência, a situação precária da saúde e da educação, enfim, um protesto contra o descaso do poder público com o povo.

Enquanto imagem – e penso que ela pode ser considerada o símbolo dessa importante manifestação popular – faço referência, especificamente, à multidão de pessoas que tomou conta da avenida Presidente Vargas na cidade do Rio de Janeiro. Como um mar de pessoas, ela transmitiu uma beleza ímpar. Primeiro, porque não se deixou ser coibida pela violência, fosse ela da parte da polícia, fosse ela da parte de alguns manifestantes. Segundo, porque, firme em seu propósito, não se deixou ser capturada pela sedução daqueles que tentavam ocupar um lugar de líder, de um grande outro.

Composta pela diversidade, aquela com o seu grito “vem pra rua vem”, parecia vibrar a mesma energia; uma energia que diz da possibilidade da convivência com o outro na sua diferença e singularidade. Em seu coro e em sua marcha, essa multidão dizia da possibilidade de criarmos nossos destinos, mesmo estando órfãos.

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Nota:

1 Parte deste artigo foi apresentada na XII Jornada do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos – Imagens improváveis, imagens impensáveis: presenças no mundo – realizada na cidade do Rio de Janeiro, em junho de 2013.

Recebido em: 10/08/2013
Aceito para publicação em: 25/10/2013