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VOL.5 | Nº 1 | Janeiro – Junho 2014

EDITORIAL

Os artigos que compõem este novo número da Revista Epos se articulam em torno dos três eixos centrais da revista. Em torno do eixo violência, Estefania Martynowskyj, em Con la mirada en los márgenes: la construcción mediática de la violencia contra las mujeres en clave marginal y voyeurista. El caso del “Loco de la ruta” (Argentina, 1996-2004), analisa, a partir de um estudo de caso, o discurso sobre a violência contra mulher disseminado pela imprensa. Em A consagração das vítimas nas sociedades de segurança, Analicia Martins de Souza, trabalhando temas como alienação parental, bullying e assédio moral, problematiza a promoção desses temas enquanto estratégia proveitosa na manutenção das sociedades penais. Abordando a violência a partir da perspectiva do Estado, Psicologia e Ditadura civil-militar: reflexões sobre práticas psicológicas frente às violências de Estado, de Helena Beatriz K. Scarparo, Samantha Torres e Daniel Dall´Igna Ecker, traz uma reflexão sobre as práticas da psicologia frente às violências de Estado em tempos da Ditadura Civil-militar no Brasil. Já em Acumulação sem legitimação e o recrudescimento da violência estatal, Javier Blank, procurando compreender as funções do Estado a partir do vínculo entre forma política do Estado e forma-valor, diagnostica um recrudescimento da violência estatal como sintoma de esgotamento da gestão da barbárie.

Em torno do eixo subjetivações, o sofrimento, enquanto experiência subjetiva fundamental, tem lugar em dois artigos. Em O sofrimento como travessia, Nietzsche e a psicanálise, Isabel Fortes propõe uma análise do tema do sofrimento humano nas obras de Nietzsche e Freud, buscando encontrar ressonâncias teóricas entre os dois autores, aproximando filosofia e clínica. Já Patrícia Porchat, em O corpo entre o sofrimento e a criatividade, destaca diferentes experiências corporais, como o transgênero, o ciborgue, a arte carnal, que denunciam os limites dos discursos médicos, jurídicos, religiosos, psicológicos e psicanalíticos, para interrogar o estatuto do corpo na psicanálise, propondo uma liberdade necessária para acompanhar as vivências de gênero e de sexo que marcam a contemporaneidade.

Dois artigos se articulam em torno de uma perspectiva genealógica e histórica. O artigo de Érika Prestes e Túlio Vianna, Do pastorado ao governo (bio)político dos homens: notas sobre uma genealogia da governamentabilidade, faz uma revisão teórica da análise genealógica empreendida por Foucault acerca da questão do Poder Pastoral ou Pastorado que possibilitou a formação de uma gestão estatal dos corpos tal como conhecemos e a que somos submetidos cotidianamente na atualidade. Já André Rossi e Eduardo Passos, em Análise institucional: revisão conceitual e nuances da pesquisa-intervenção no Brasil, retomam as linhas constitutivas da Análise Institucional desde a França até sua entrada no Brasil. Apostando na importância da prática e dos conceitos da Análise Institucional, apontam a inflexão brasileira da pesquisa-intervenção como proposta metodológica de produção de conhecimento e de intervenção em organizações, grupos e subjetividades.

Fechando o número, o psicanalista Christian Dunker, em sua entrevista Subjetivações e gestão dos riscos na atualidade: reflexões a partir do DSM-5, analisa as descontinuidades e continuidades na razão diagnóstica contemporânea que a quinta versão coloca em relação às versões precedentes; descortina as tensões e solidariedades que constituem o campo psi nesta conjuntura que reflete; recenseia relevantes críticas ao DSM-5 e as articula ao debate sobre a gestão dos riscos na atualidade; finalmente, através das distinções entre mal-estar, sofrimento e sintoma, o autor nos afirma que “o DSM-5, neste sentido, reflete uma política que transforma toda forma de mal-estar em sofrimento e todo tipo de sofrimento em sintoma. Uma política que nos faz ‘sofrer’ necessariamente na gramática do DSM, de modo cada vez mais homogêneo e uniforme”.

Boa leitura!

Silvia Alexim Nunes e Cristiane Oliveira
Editoras executivas