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VOL.7 | Nº 2 | Julho – Dezembro 2016

EDITORIAL

Neste novo número, o conjunto de artigos da Revista Epos: Genealogias, Violências, Subjetivações explora dois dos três eixos temáticos de sua linha editorial: violência e subjetivações.

Cinco artigos compõem o eixo Violências. Em “Voces desde el armario… prejuicios y discriminaciones hacia personas LGBT en el Salvador”, Amaral Palevi Gómez Arévalo reflete sobre identidades LGBT (lésbica, gay, bissexual e trans) em El Salvador. O artigo analisa os vários espaços sociais em que as pessoas LGBT sofrem múltiplas formas de discriminação. Da esfera familiar à institucional, estuda ainda a mídia de massa (imprensa escrita, televisão e rádio) e como esta gerencia a diversidade sexual e suas manifestações na cultura. As manifestações de discriminação e preconceitos contra a população LGBT são multifacetárias, relacionam-se a marcadores sociais da diferença e se fundamentam no exercício violento do poder contra aqueles/as cuja expressão de gênero e sexualidade seja divergente da norma binária heterossexual.

Em “Vidas que se (trans)formam e não se esgotam: promoção de saúde no Centro de Ressocialização de Cuiabá-MT”, Felipe Cazeiro, Leidiane Juvenal da Silva, Patricia Pedroso de Brito, Adarleni Amorim de Assis e Vanessa Clementino Furtado analisam o funcionamento do sistema prisional de Cuiabá, com ênfase na participação do profissional de Psicologia no referido Centro de ressocialização. Apresentando o Projeto Dignidade na ala arco-íris da instituição, o artigo aborda a produção de saúde e garantia dos direitos humanos ali desenvolvidos, além das potencialidades e desafios no trabalho com a população LGBT em privação de liberdade.

Evanilda Bulcão Mota nos apresenta o relato de experiência em unidades da socioeducação no Estado da Bahia em “A socioeducação nos tempos de cólera”. Levando em consideração a relação entre privação de liberdade para adolescentes e a violência que permeia as relações sociais, a metodologia de grupos operativos de Enrique Pichón-Riviére foi utilizada para compreender as aflições, expectativas e tensões dessa área.

Ainda no eixo violências, Diana Coeli Paes de Moraes e Kátia Marly Leite Mendonça abordam os métodos consensuais de solução de conflitos no enfrentamento à violência no artigo intitulado “Métodos consensuais de solução de conflitos: a produção dialógica para uma cultura de paz”. O artigo aborda a criação dos Núcleos Permanentes de Métodos Consensuais de Soluções de Conflitos – NUPEMECs e os Centros Judiciários de Solução de Conflitos – CEJUSCs, com o intuito de fomentar a prática da conciliação.

Encerrando o eixo violências, no artigo “Permanência de mulheres em situação de violência: compreensões de uma equipe multidisciplinar”, Milena Nogueira Azevedo e Paula Rúbia Oliveira do Vale Alves analisam a compreensão de profissionais atuantes no Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) em um município na Bahia, sobre os elementos de permanência de mulheres em situação de violência doméstica.

Três artigos compõem o eixo subjetivações. Em “Trabalho feminino, desigualdades de gênero e formas de subjetivação no setor de serviços no Brasil”, Giovana Ilka Jacinto Salvaro, Fabia Alberton da Silva Galvane e Patricia Mariano problematizam normas de gênero que sustentam e atualizam desigualdades no setor de serviços no Brasil enquanto espaço de constituição de trabalhadoras e de formas de subjetivação. O estudo foi balizado pela articulação das categorias gênero e divisão sexual do trabalho. Por meio de um diálogo interdisciplinar com as áreas de estudo da psicologia, da sociologia, da economia, da história, entre outras, são apresentados índices de participação e estudos sobre trabalhadores/as no setor de serviços no Brasil, os quais possibilitaram problematizar os temas da divisão sexual do trabalho, das desigualdades de gênero e das formas de subjetivação.

Juventude e protagonismo são palavras-chave dos dois artigos a seguir. Juliano Bonfim e Marcos Ribeiro Mesquita, em “Quando a/o jovem entra em cena: gênero e sexualidade em debate”, analisam as formas de participação de jovens nas discussões sobre gênero e sexualidade no cotidiano de uma instituição federal no interior do Estado de Alagoas, buscando saber quais os roteiros protagonizados pelas/os jovens da instituição estudada. A vivência da sexualidade e as experiências da diversidade sexual se encontram em uma organização complexa entre as impossibilidades e as condições favoráveis aos seus anseios. Em “‘Eu acho que, pra você estar nesse meio, você tem que ser resistente quanto ao mundo comum’: juventude(s), subculturas e resistência cultural no Rio de Janeiro”, Alexandre Bárbara Soares trabalha com as diferentes dimensões da experiência de jovens do Rio de Janeiro no interior da subcultura punk e suas sub-ramificações. O autor põe em relevo o modo como a cena cultural se organiza e se unifica a partir da identificação de uma série de relações de recusa a um conjunto de situações e atores sociais. O artigo nos apresenta uma análise sobre os modos de protagonismo juvenil que busca, nas subculturas, a tentativa de tensionar alguns sentidos hegemônicos, produzidos por certos dispositivos institucionais, sobre sua própria condição juvenil.

Fechando o número, Tatiana Lionço, em sua entrevista “A despatologização das identidades trans: questões e desafios na atualidade”, analisa elementos fundamentais da construção de marcos de garantia de direitos para transexuais no Brasil, como a normativa “Processo Transexualizador do SUS” e a “Nota técnica sobre processo transexualizador e demais formas de assistência às pessoas trans”.

Boa leitura!
Rita Flores, Cristiane Oliveira e Silvia Alexim Nunes