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BIOPOLÍTICA E IMAGINÁRIO BRASILEIRO: OBSERVANDO “ARRANJOS FAMILIARES” EM ROMANCES DE JORGE AMADO1

Helena Bocayuva
Doutora em Saúde Coletiva pelo IMS/UERJ.

 

Resumo: Este artigo se baseia em romances de Jorge Amado, grande formador de leitores no Brasil. Aborda os “arranjos familiares” focando em relações hoje classificadas como “abuso sexual familiar”.

Palavras chave: sexualidade, gênero, biopolítica, romances de Jorge Amado.

Abstract: This article is based on Jorge Amado’s novels and aims discuss family organizations in Brasil foccusing in “family sexual abuses”.

Keywords: sexuality, gender, families, sexual abuse.

 

 

1. Apresentação

Gabriela, Tereza, Bernarda: três meninas nordestinas e pobres. Vivem histórias que encenam os primeiros vinte anos do século passado. Todas as três tiveram a iniciação sexual com figuras paternas. São personagens de romances de Jorge Amado (1912-2001): Gabriela, Cravo e Canela (1958), Tereza Batista Cansada de Guerra (1972)3 e Tocaia Grande, a face obscura (1984).

Durante o último meio século Jorge Amado foi o maior formador de leitores no Brasil.4 Considero as obras do autor fundamentais para a produção de subjetividade de algumas gerações brasileiras. E oferecem, no geral, campo fecundo para a observação sobre os caminhos da biopolítica no Brasil, veja-se a ênfase na sexualidade .

Os três livros têm como pano de fundo a economia do cacau. Pode-se dizer que abordam os processos de acumulação de capital brasileiros e a emergência da estratificação social capitalista em terras virgens: o que antes era mato e rios, ao ser ocupado é ordenado pelo trabalho.

Os romances em pauta descrevem uma grande variedade de “arranjos famiiares” que enriquecem as ficções e fazem refletir sobre os destinos a ser inventados por cada um de nós. Cabe assim esclarecer que entendo por “arranjos familiares” a existência de membros de famílias, consanguineos ou não, nem sempre vivendo sob o mesmo teto.5 Gabriela e Tereza viviam com os tios, Bernarda, mais tarde mulher do padrinho, quando criança só dormia em sua rede, colada ao peito.

Sabe-se que o modelo de família conjugal e mesmo de família patriarcal não correspondeu à pluralidade dos arranjos familiares, disseminados pelo Brasil afora, hoje e ontem. A maioria das famílias brasileiras não tem o formato consagrado pelo catolicismo ou pelo cinema americano, grande divulgador dos ideais de felicidade doméstica baseada no amor romântico e na família conjugal.

Talvez a intensidade da idealização tenha contribuído para estigmatizar grande parte das famílias brasileiras, sobretudo as mais desfavorecidas, percebidas pelos poderes públicos e pela mídia como “desestruturadas” (BATISTA, 1998)

Como diz Gilberto Freyre (1900-1987):

(…) devemos recordar que o familismo no Brasil compreendeu não só o patriarcado dominante – e formalmente ortodoxo do ponto de vista católico-romano – como outras formas de família: parapatriarcais, semi-patriarcais e mesmo antipatriarcais. (…) E do ponto de vista sociológico temos que reconhecer o fato de que desde os dias coloniais vêm se mantendo no Brasil, e condicionando sua formação, formas de organização de famílias extrapatriarcais, extracatólicas que o sociólogo não tem, entretanto, o direito de confundir com prostituição ou promiscuidade. Várias delas parecem ter aqui se desenvolvido como resultado de influência africana, isto é, como reflexos, em nossa sociedade composta de sistemas morais e religiosos diversos do lusitano-católico mas de modo nenhum imorais para grande número de seus praticantes (…) (FREYRE, 1998, p. 64, 65).

Note-se, ao final da citação, o negaceio do autor em relação à pretensa promiscuidade ou imoralidade que envolveria as “influências africanas”. A falta de pai e lei seria mais patente nessas famílias que nas famílias brancas, de classe média? Embora as páginas de jornais hoje reclamem mais castigos ou penas também para os jovens brancos infratores, historicamente as famílias morenas e pobres são as mais atingidas pelos olhares punitivos. Uma visita a qualquer Casa de Detenção do país comprova a argumentação.

2. Tramas e personagens: nas páginas de Jorge Amado

Gabriela não tinha pai, nem mãe. Foi desvirginada pelo tio, pai de criação (2008a). Bernarda se tornou mulher do pai, a partir dos doze anos. Depois, por gosto, foi mulher de seu padrinho (1985). E Tereza, aos doze ou treze, foi vendida pela tia com quem vivia desde a morte dos pais. Iria servir, também na cama, ao Capitão Justo (2008b). Ressalto que as peculiaridades da iniciação sexual das meninas não destruiu seus destinos.

Lendo os três romances de Jorge Amado aqui citados percebemos, como diz Foucault, que “estamos numa sociedade (…) de sexualidade”: “os mecanismos de poder se dirigem ao corpo, à vida, ao que a faz proliferar, ao que reforça a espécie (…). Saúde, progenitura, raça, vitalidade do corpo social, o poder fala da sexualidade e para a sexualidade” (FOUCAULT, 1985, p. 138).

Tendo em mente as grandes linhas do que Foucault considerou como eixo da biopolítica, o dispositivo da sexualidade, optei por também incorporar a perspectiva de gênero.

Assim, o recorte da pesquisa aqui apresentado pretende destacar as descrições de masculino e feminino, maternidade e paternidade, assim como as relações entre meninas e homens mais velhos, entre meninas e figuras paternas: pai, padrasto ou padrinho. Meninas de doze a quatorze anos enredadas com homens trinta anos mais velhos formam frequentemente casais harmônicos nesse e em outros romances do autor. Gilberto Freyre, contemporâneo de Jorge Amado, como sabemos, assim se expressou em Casa-Grande, livro publicado em 1933: “Ainda hoje nas velhas áreas rurais, o folclore guarda a reminiscência dos casamentos precoces para a mulher; e a ideia de que a virgindade só tem gosto quando colhida verde” (FREYRE,1998, p. 347). E cita a quadra, de várias regiões do Brasil:

Minha mãe nos casa logo,

Quando somos raparigas:

O milho plantado tarde,

Nunca dá boas espigas

A seguir, apresento recorte da minha pesquisa centrado nas questões despertadas pela análise do romance Tereza Batista Cansada de Guerra.

3. Tereza Batista Cansada de Guerra

Tereza Batista (2008b) conta as aventuras da heroína, através de diversas vozes: um funcionário público, um Pai de Santo e o poeta Castro Alves .

Questões relativas à sexualidade e à vida reprodutiva da protagonista e dos outros personagens ocupam um lugar fundamental na narrativa.

Relações sexuais entre meninas e figuras paternas são recorrentes no romance. Um exemplo pouco importante para o enredo do livro, porém significativo, é o personagem funcionário público, policial, servindo na Delegacia de Costumes de Salvador, que leva o apelido de “Peixe-Cação”, “por ter comido as duas filhas menores”, além da cunhada, irmã menor da mulher (2008b, p. 366).

Órfã de pai e mãe, Tereza foi criada pela tia materna e o marido. O pai da menina é citado apenas uma vez: quando o autor diz que os pais da protagonista haviam morrido num acidente de marinete. A mãe é mencionada em outra oportunidade: num período feliz de sua vida, Tereza “cantava (…) velhas cantigas de ninar que ouvia da mãe (2008b, p. 310). Assim, dos cuidados maternos ficou lembrança terna; do pai, nem isso.

Antes mesmo da menarca, antes que o tio agarrasse a menina, como aliás pretendia, a tia a vendeu ao capitão Justiniano Duarte da Rosa.

Capitão Justo tinha fama de “devasso”. Aos trinta e seis anos se casou com Dóris, quatorze anos completos no dia do enlace. Filha da viúva do médico da cidade, Dóris, ao contrário das outras mulheres casadas descritas pelo autor, talvez porque “fraca do pulmão”, era chegada aos prazeres da cama (2008b, p. 113), sugere o autor, bem de acordo com os pressupostos da medicina do século XIX (BOCAYUVA, 2007).

Dez meses depois do casório nasce um bebê e morre a Dóris. A narrativa diz e repete que ver o medo no olhar das moças serve de afrodisíaco para o Capitão, que maltratava aquelas que, completamente dominadas, vinham se “oferecer”. Desprezava todas as submissas, salvo Dóris que adorava lhe lavar os pés: lavava e beijava. Dois anos depois de sua morte, o Capitão compra Tereza e à custa de muita pancada consegue o que queria.

A menina Tereza foi violentada pelo Capitão Justo, antes da primeira menstruação. Durante cerca de dois anos vive com ele e não engravida. Atribui a infertilidade aparente aos padecimentos que sofria, às surras, à lembrança do ferro em brasa nos pés e o temor de torturas mais dolorosas ainda, tão presentes nas ameaças diárias.

Os feitos da menina Tereza cativam o leitor. Sobrevive às maldades do Capitão e se torna sua “favorita”, sempre resistindo ao seu domínio.

Foi seduzida por rapaz matreiro, filho do Juiz, dono de olhos grandes e claros. O autor deixa patente que então Tereza conhece o prazer. Oito noites aproveitaram na cama do Capitão, que ao surpreendê-los no bem bom caiu de pancada em cima dele, enquanto prometia à moça as piores dores. Distraído pela raiva, é ferido mortalmente por Tereza, com faca afiada.

Nossa heroína é presa e solta graças à intervenção de antigo e poderoso admirador: senhor de terras, industrial e banqueiro – ou seja, metáfora da elite endinheirada brasileira. Casado e pai de família, instalou casa para a rapariga na cidade sergipana de Estância, sítio que integra o roteiro afetivo da infância do autor.

Tereza se torna “amázia”, com direito a empregados para o serviço doméstico e todo o carinho e consideração do poderoso Emiliano Guedes.

A moça entretanto conhece o “seu lugar” na hierarquia social. Incapaz de mandar, prefere fazer todas as tarefas da casa a folgar. Não faz questão de passear de braços dados com o doutor e afrontar o provincianismo local. Pretendentes não lhes faltam, oferecendo agrados enquanto seu “protetor” viaja. Tereza lhe dá as costas e se mostra fiel a toda prova. Enfim, sem nenhuma ousadia e muito submissa ganha a confiança do doutor e a inveja das comadres da localidade.

Duas palavras sobre a submissão da protagonista são necessárias. Tereza já havia matado à faca seu opressor, em legitima defesa, é bem verdade. Havia brigado com malandros e policiais, tinha sido presa e conhecido o cárcere, um dia comandaria uma greve das prostitutas da Bahia, ameaçadas de despejo pela especulação imobiliária, associada ao higienismo – estratégias biopolíticas. Tereza apenas é submissa a seu amo e senhor, o Doutor Guedes, por gratidão. Talvez esteja próxima ao que Krafft-Ebing chamou de “verdadeira mulher”. A subordinação da mulher ao homem seria uma posição buscada pela própria mulher. Na exacerbação dessa perpectiva, Krafft-Ebing chega a descrever a “servidão sexual”, que implicaria renúncias e até infrações à lei ou aos costumes em nome do amor (NUNES,1999, p. 100). Permanências?

Como destacado anteriormente, aqui também a diferença de idade entre homem e mulher é imensa: Tereza, menina de dezesseis anos, incompletos, o “Doutor”, um homem de mais de sessenta (2008b, p. 272). O prisma de relação entre mestre e discípula, outra escrita da distância hierárquica entre o homem e a mulher, é salientada por Jorge Amado nos relatos sobre os aprimoramentos de Tereza, à mesa e à cama, graças aos ensinamentos do “Doutor”, mais de quarenta anos mais velho (BOCAYUVA, 2001)

Urge apresentar as concepções de paternidade no romance. Não há elos entre reprodução e paternidade, entre paternidade e deveres de proteção. O já citado representante da lei, o pai que violentou duas filhas e a cunhada, conhecido como “Peixe-Cação” encabeça a lista de relações entre figuras paternas e meninas. Tampouco pode se observar qualquer zelo no “pai de criação” da protagonista, o tio, que planejava matar a mulher e fazer de Tereza sua companheira, apenas aguardava a primeira menstruação da garota.

O Capitão Justo era pai de muitos moleques da região: não se dava ao trabalho nem de tentar evitar engravidar as meninas que tombavam na rede, na cama ou no chão. Quando alguma aparecia prenha e tentava obter sua ajuda, era enxotada rapidamente. O que dizer dos poderosos irmãos de Emiliano Guedes? Tinham muitos filhos a esmo, na usina e nas fazendas, excluídos da proteção do sobrenome e das benesses dos bens. Quanto a Emiliano defendia a paternidade “responsável” mas nem sempre sua argumentação tem bases no pensamento eugênico: “Esposa é para engravidar, parir e criar filhos; amante é para o prazer da vida, quando tem de cuidar de menino fica igual à outra, que diferença faz? Filhos na rua, não (…)” (2008b, p. 282).

Amázia de Emiliano Guedes, casa montada em Estância, Tereza engravida. Aborta em casa, no início da gestação, a curetagem foi efetuada pelo médico, amigo e frequentador da casa de Emiliano e Tereza. O procedimento não arranha a saúde de Tereza, que recebe do médico apenas uma advertência: repouso nas primeiras vinte e quarto horas. O autor mostra que as mulheres da “alta” como Tereza, naquele momento da vida, têm acesso a um abortamento seguro.

Guedes morre nos braços de Tereza, depois de lamentar sua desilusão com os laços de sangue, no tom caro à teoria da degenerescência (BIRMAN, 2001, p. 119). Sua estirpe estaria degenerada? Sua filha teria furor uterino? Seu filho estaria destinado à homossexualidade, seria um chibungo, para sempre escravizado às saias da mãe? A meio caminho entre as configurações que descrevem a devassidão e os excessos, na aurora da hegemonia do “grande domínio medico-psicológico das perversões” (FOUCAULT, 1985, p. 111), o romance oferece terreno fecundo para a análise dos meandros da biopolítica no imaginário brasileiro.

É relevante refletir sobre o desfecho feliz das aventuras das personagens dos romances referidos no início do artigo. Gabriela no final do livro que leva seu nome está livre e solta como desejava, escolhendo seus prazeres sem monogamias. Bernarda, do romance Tocaia Grande, face obscura (1984), morre nos braços do padrinho, defendendo com o próprio corpo a vida do amante, o texto indicando claramente que a moça cumpria contente seu destino. Assim, pode-se sugerir que afinal as relações sexuais entre meninas e figuras paternas são corriqueiras em nossa cultura, remetendo às relações de gênero, moldadas pelo patriarcalismo e a escravidão (BOCAYUVA, 2001, p. 71).

O presente artigo é parte da pesquisa da autora “Observando arranjos familiares” em algumas ficções brasileiras, publicada em versão maior na revista PassagensRevista Internacional de História Política e Cultura Jurídica. Janeiro de 2010.

Datas das primeiras edições. A partir daqui só mencionaremos as datas das edições com as quais trabalhamos.

Ver TEZZA, Cristovão: http//www.blogdojammarinho.blogspot.com/2010/04/0-brasil-de-jorge-amado-texto-de.html

AMAZONAS, Maria Cristina et alli. Arranjos familiares de crianças das camadas populares. Psicologia em Estudo, v. 8, número especial, p. 11-20, 2003.

 

Referências bibliográficas

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_____. (1972). Tereza Batista Cansada de Guerra. São Paulo: Cia das Letras, 2008b.

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BATISTA, Vera Malaguti. Difíceis ganhos fáceis: drogas e juventude pobre no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Instituto Carioca de Criminologia/Freitas Bastos, 1998.

_____. O medo na cidade do Rio de Janeiro: dois tempos de uma história. Rio de Janeiro: Revan, 2003.

BIRMAN, Joel. A Physis na Saúde Coletiva. Physis. Revista de Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, IMS/UERJ/Relume Dumará, v 1, n. 1991.

_____. Gramáticas do erotismo. A feminilidade e suas formas de subjetivação em psicanálise. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

BOCAYUVA, Helena. Sexualidade e gênero no imaginário brasileiro. Rio de Janeiro: REVAN, 2007.

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FREYRE, Gilberto (1933). Casa-Grande & Senzala. Formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. Rio de Janeiro: Record, 1998.

_____ (1936). Sobrados e Mocambos. Decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano. Rio de Janeiro: Record, 1996.

FOUCAULT, Michel (1976). História da Sexualidade I. A vontade de saber. Trad. Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon de Albuquerque. Rio de Janeiro: GRAAL, 1985.

NEDER, Gizlene. Idéias Jurídicas e autoridade na família. Cerqueira Filho, Gisálio. Rio de Janeiro: REVAN, 2007.

NUNES, Silvia Alexim. O corpo do diabo entre a cruz e a caldeirinha. Um estudo sobre a mulher, o masoquismo e a feminilidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

PRIORE, Mary (Org.) et alii. História das Mulheres no Brasil. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1997.

TEZZA, Cristovão. O Brasil de Jorge Amado. http://blogdojammarinho.blogspot.com/2010/04/0-brasil-de-jorge-amado-texto-de.html

 

Artigo recebido em 21/7/2010 e aceito para publicação em 30/9/2010.

 

1 – O presente artigo é parte da pesquisa da autora “Observando arranjos familiares” em algumas ficções brasileiras, publicada em versão maior na revista PassagensRevista Internacional de História Política e Cultura Jurídica. Janeiro de 2010.
3 – Datas das primeiras edições. A partir daqui só mencionaremos as datas das edições com as quais trabalhamos.
4 – Ver TEZZA, Cristovão: http//www.blogdojammarinho.blogspot.com/2010/04/0-brasil-de-jorge-amado-texto-de.html

5 – AMAZONAS, Maria Cristina et alli. Arranjos familiares de crianças das camadas populares. Psicologia em Estudo, v. 8, número especial, p. 11-20, 2003.