Revista EPOS » EDITORIAL 05
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EDITORIAL

Os principais temas de pesquisa do grupo EPOS, ou seja, biopolítica, genealogia, violência, juventude e formas de subjetivação, articulam o presente número da REVISTA EPOS.

Destaca-se assim o texto inédito em português do sociólogo Loïc Wacquant. Em “A Política Punitiva da Marginalidade: Revisitando a Fusão entre Workfare e Prisonfare”, Wacquant reflete sobre os processos que envolvem a criminalização crescente dos pobres nas sociedades pós-liberais, bem como sobre a relação entre estes processos e a construção de um Estado neoliberal reconfigurado.

Em “As UPPs para além do dilema entre violência e paz”, a psicanalista Fernanda Canavez analisa o discurso que acena para a “pacificação” do Rio de Janeiro, a partir da ocupação policial-militar de algumas áreas habitadas pela população de baixa renda. Questionando a reapropriação do antagonismo entre violência e paz, reiterada pela “política de pacificação”, vale-se de suas leituras de Wacquant, Bauman, Birman e Malaguti Batista e privilegia o discurso freudiano, que em meados do século XX criticava a utopia do fim da violência.

O artigo de Anderson Moraes de Castro e Silva, “Do Império à República: Considerações sobre a aplicação da pena de prisão na sociedade brasileira”, esboça a trajetória da pena de prisão na nossa sociedade. Ao concluir, destaca que a antiga fantasia de “reabilitação social” do apenado e sua outra face, “a vingança” não mais se refletem no nosso imaginário social. A “promessa de endurecimento punitivo” seria o grande vetor do consenso social, já que responde ao clamor por “mais segurança” de grande parte da opinião pública nacional.

Evocando os desdobramentos políticos da Comissão Nacional da Verdade, Cristina Rauter desconstrói o falso impasse entre “esquecimento e ressentimento”. Assim, em “Esquecimento e Esclarecimento: Algumas reflexões filosóficas sobre a necessidade de elucidar os crimes contra a humanidade praticados durante a Ditadura Militar Brasileira”, a autora nos remete ao pensamento de Nietzsche e Foucault para lembrar que a luta pela apuração efetiva dos crimes cometidos por agentes do Estado é parte essencial da luta contra a tortura praticada ainda em nossos dias, contra aqueles classificados como criminosos.

Os quatro textos remanescentes se vinculam à Teoria Política. Em “O discurso da Teologia Política na produção cultural da violência mítica”, João C. Galvão Jr articula violência mítica e inconsciente, apoiando-se em Heidegger e Walter Benjamin. Quanto a Maicon Pereira da Cunha, em “Freud como pensador político: sobre a igualdade possível entre os Homens”, ele explora as contribuições do pensamento freudiano para a problemática da igualdade. Já “Subjetividade e política sobre drogas: Considerações psicanalíticas”, assinado por Raflésia Rodrigues Araujo e Raul Max Lucas da Costa, destaca os ganhos das abordagens psicanalíticas para as reflexões sobre as dependências químicas, percebidas como expressões do mal-estar contemporâneo. Finalizando, o artigo de Helena Colodetti G. Silveira, “Os arquétipos do pensamento kantiano na metapsicologia de Freud e sua ruptura por Winnicot”, tem como objetivo apontar a continuidade dos avatares epistemológicos da modernidade nas formulações freudianas, contrapondo-os ao pensamento de Winicott.

Helena Bocayuva
Silvia Alexim Nunes