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VOL.3 | Nº 2 | Julho – Dezembro 2012

EDITORIAL

Estamos chegando ao final do terceiro ano de existência da Revista EPOS, com seis volumes já publicados dentro de uma linha de trabalho que propõe o estudo articulado ou autônomo entre genealogias, violências e subjetivações, uma inovação para este segmento acadêmico do mercado editorial. Temos procurado divulgar e estimular uma produção consistente, de natureza interdisciplinar, sobre esses grandes eixos temáticos, buscando a consolidação de uma rede de pesquisa que contribua para o pensamento crítico sobre os problemas que assolam a realidade contemporânea e, especificamente, a brasileira. Esses esforços têm se refletido no crescente interesse pela publicação por parte de pesquisadores.

No presente número da Revista EPOS, seus leitores encontrarão estimulantes reflexões que colocam em relevo dois de seus eixos principais: subjetivações e violência.

Retomando Freud, e em torno do conceito de pulsão, os psicanalistas Margarida Maria Tavares Cavalcanti e Rodrigo Ventura ressaltam a dimensão da experiência psicanalítica enquanto experiência de subjetivação capaz de engendrar novos modos de vida e de relação com o mundo, procurando pensar a psicanálise como prática de liberdade. Ainda a partir da questão da pulsão, e enfatizando a problemática do excesso pulsional, Isabel Fortes aponta para uma cartografia do corpo na teoria freudiana, em que este é, antes de tudo, um corpo subjetivado.

Articulando subjetivação e violência, Rita Flores Müller propõe uma reflexão sobre o processo de medicalização da população masculina brasileira a partir de uma análise do discurso da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem lançada em 2009 pelo Ministério da Saúde. Nesse mesmo eixo, Elizabeth Maria Andrade Aragão, Lilian Rose Margotto e Ruth Batista procuram entender, por meio de encontros com adolescentes em conflito com a lei e em privação de liberdade, a produção de subjetividades e os agenciamentos possíveis que podem suscitar movimentos de potência de vida ou de mortificação naquele contexto.

Ressaltando a questão da violência, dois artigos abrem importantes vertentes de pesquisa. Katerine Sonoda estudou o processo de intimidação e cooptação de líderes em favelas do Rio de Janeiro por traficantes/milícias/policiais, procurando observar de que modo esse fenômeno tem afetado o desenvolvimento sócio-espacial e a saúde desses líderes. Já Ricardo Santos Rodrigues trabalha com o conceito de diáspora e seus efeitos no processo de constituição da identidade cultural, que engendra a presença civilizatória dos povos africanos que foram espalhados pelo “Novo Mundo”.

Apresentamos ainda neste número uma entrevista com Daniel Aarão Reis, que nos brindou com uma lúcida reflexão sobre a ditadura pós-64 e a importância do trabalho da Comissão da Verdade no sentido de ampliar a compreensão desse episódio de nossa história.

Fechando o número, a resenha de Vera Malaguti Batista revela a densa e instigante reflexão sobre a questão criminal proposta por Marildo Menegat em Estudos sobre ruínas, que procura dissecar, por uma perspectiva atualizada do marxismo, as heterotopias das nossas cidades-punitivas.

Desejamos a todos(as) uma leitura proveitosa e que os artigos aqui publicados suscitem debates, intervenções e novos artigos, de modo a contribuir para o enfrentamento das problemáticas que aí estão em jogo.

Silvia Alexim Nunes
Cristiane Oliveira
Editoras executivas